Nova Iorque, Julho de 1962. Andy Warhol, 34 anos, antigo ilustrador publicitário tornado pintor, expõe na Ferus Gallery de Los Angeles trinta e duas telas idênticas. Em cada uma, uma lata de sopa Campbell's, pintada à mão mas reproduzida com a precisão de uma etiqueta. As trinta e duas telas correspondem às trinta e duas variedades de sopa vendidas no supermercado. A exposição joga a repetição até ao absurdo, como uma fila de prateleiras. Ninguém compra durante a exposição. O marchand Irving Blum, pressupondo a importância do gesto, recompra o conjunto a Warhol por mil dólares, conserva-o trinta anos, depois vende-o ao MoMA em 1996 por 15 milhões de dólares. Nos mesmos meses, em Manhattan, Roy Lichtenstein, 39 anos, professor em Rutgers, pinta telas que parecem vinhetas de banda desenhada ampliadas: "Look Mickey" (1961), "Drowning Girl" (1963), "Whaam!" (1963). A pop art acaba de nascer.

A palavra não é nova. O crítico inglês Lawrence Alloway tinha-a inventado em 1955, em Londres, para descrever as colagens de Eduardo Paolozzi e Richard Hamilton que misturavam anúncios de revistas e ícones de Hollywood. Hamilton, em 1956, assina "Just what is it that makes today's homes so different, so appealing?", colagem fundadora que muitos consideram a primeira obra pop. Mas é em Nova Iorque que o movimento ganha escala internacional, com Warhol, Lichtenstein, Claes Oldenburg, James Rosenquist, Tom Wesselmann.

A gramática pop

A gramática é clara desde o início. Trazer para a pintura as imagens da cultura de massas (publicidade, imprensa, banda desenhada, fotografias de estrelas) ampliando-as à escala da tela. Recusar o toque pessoal do expressionismo abstracto dominante há dez anos. Imitar os procedimentos de impressão industrial: serigrafia em Warhol, trama Ben Day (pontos coloridos alinhados) em Lichtenstein. Saturar a paleta em cores primárias sem mistura. Aplanar a composição, suprimir a profundidade, tratar o assunto como um logótipo. É nisto que a pop art se liga, sem o saber necessariamente, ao construtivismo russo de Rodchenko e ao neoplasticismo de Mondrian.

Warhol instala-se em 1963 na Factory, um loft do 231 East 47th Street em Manhattan que reveste de papel de alumínio. Produz aí em serigrafia os seus retratos de Marilyn Monroe (1962, pouco depois do suicídio da actriz), Liz Taylor, Mick Jagger, Mao Zedong, e as suas séries de objectos (as caixas Brillo, as garrafas de Coca-Cola, as cadeiras eléctricas, os acidentes de automóvel). É tiroteado em Junho de 1968 por Valerie Solanas, feminista radical com quem se tinha cruzado. Sobrevive, mas as feridas internas enfraquecê-lo-ão para o resto da vida. Morre em 1987, com 58 anos, de uma complicação pós-operatória.

Lichtenstein, a precisão da ampliação

Roy Lichtenstein, mais discreto do que Warhol, também mais académico (ensina na universidade toda a vida), empurra a gramática pop numa direcção diferente. Onde Warhol multiplica os assuntos e os meios, Lichtenstein concentra-se na ampliação de vinhetas de banda desenhada e de fragmentos de obras clássicas reproduzidos em trama Ben Day. A sua técnica é rigorosa: desenha primeiro em pequena escala, projecta o desenho sobre a tela, traça os contornos com acrílico, pinta os planos com pincel plano, e termina as zonas de trama com um stencil metálico perfurado. Tudo é feito à mão, apesar da aparência mecânica. Morre em Nova Iorque em 1997, com 73 anos.

"Em arte", dizia Warhol em 1969, "é preciso que toda a gente possa comprar a mesma coisa. Os ricos e os pobres têm a mesma Coca-Cola."

Viver com um cartaz pop art

Um cartaz pop art pede uma parede desimpedida e uma luz generosa. A saturação cromática precisa de espaço e claridade à volta. Numa parede muito escura, os vermelhos e os amarelos sufocam. Numa parede muito clara, cantam. A moldura: preto mate perfil espesso, que contém a composição sem rivalizar com os seus negros internos. O carvalho funciona mal, suaviza a agressividade que a obra reivindica. O formato conta mais do que em muitos outros movimentos: abaixo de 50 por 70 centímetros a pop art perde a sua monumentalidade nativa. A partir de 70 por 100, toma a medida da parede.

O ambiente decorativo tem a sua importância. A pop art casa-se bem com um interior muito contemporâneo, mobiliário escandinavo claro, metal, vidro. Casa-se também surpreendentemente bem com um interior muito clássico, desde que se coloque apenas uma peça pop na sala: o contraste torna-se a atracção. Evite a coabitação com um cartaz Art Déco ou Belle Époque: as paletas saturadas combatem-se e a leitura desmorona-se.

Três caminhos para começar

  • Um retrato serigrafico inspirado em Warhol: um único rosto, paleta de quatro cores saturadas, contorno negro. Moldura preta, parede branca.
  • Uma composição com trama Ben Day inspirada em Lichtenstein: um fragmento de banda desenhada ampliado, ou uma cena tipificada. Mais narrativa, mais densa.
  • Um cartaz modernista contemporâneo na coleção abstrato moderno. A filiação entre pop art e abstracção geométrica vê-se de imediato.

Na Montmartre Poster, as homenagens à pop art e à cultura em série vivem na coleção abstrato moderno. Para a genealogia que vai do neoplasticismo à pop art, veja o nosso artigo sobre Mondrian e De Stijl, que descreve a gramática geométrica que Warhol e Lichtenstein herdam quarenta anos depois.