Florença, 1919. O conde Camillo Negroni, militar regressado da guerra, entra no Caffè Casoni na via dei Tornabuoni e pede a Fosco Scarselli, o barman da casa, que reforce o seu habitual Americano. Mais Campari, menos água com gás, e gin em lugar do sifão. O resultado cabe num copo baixo, sobre um grande cubo de gelo, com meia rodela de laranja. Assim nasce o Negroni. A receita não mudou desde então: um terço de gin, um terço de Campari, um terço de vermute tinto. Três ingredientes, três medidas iguais, uma cor que a aguarela adora.

Esta simplicidade explica por que razão o cocktail clássico se encontrou tão bem com a aguarela ao longo do século XX. Não é necessária uma fotografia elaborada. Não é necessária uma marca visível. Um copo, um líquido âmbar ou vermelho, uma guarnição, e a composição sustenta-se. Os cartazistas italianos das décadas de 1920 e 1930, sobretudo em Milão, produziram peças publicitárias para a Campari, a Cinzano e a Martini que são hoje objetos de colecionador. A técnica era a litografia em quatro a seis cores, a partir de um desenho original a guache ou aguarela. A textura do papel permanece visível sob o pigmento, e é precisamente essa transparência que se procura ainda hoje num bom poster de cocktail.

O trio clássico: Negroni, Boulevardier, Aperol Spritz

Três receitas atravessaram o século sem perder o seu desenho. O Negroni, já o vimos. O Boulevardier, o seu primo parisiense, foi inventado em 1927 por Erskine Gwynne, um escritor americano radicado em Paris que dirigia a revista "The Boulevardier". Substitui o gin do Negroni por bourbon. A cor passa do vermelho transparente para um castanho avermelhado, a paleta da aguarela muda, e o cocktail adquire um calor de inverno. O Aperol Spritz, o mais recente dos três, nasce nos bares venezianos dos anos cinquenta, a partir do licor Aperol desenvolvido em Pádua em 1919. A receita fixou-se tarde: três partes de prosecco, duas de Aperol, uma de sifão, gelo e uma rodela de laranja. É a composição mais solar do trio e a que melhor resulta em grande formato.

O que torna estes três cocktails graficamente úteis é a sua paleta restrita. O Negroni move-se nos vermelhos quentes e no laranja queimado. O Boulevardier acrescenta um castanho acobreado. O Aperol Spritz gira em torno do laranja claro e do amarelo palha. Um poster bem conseguido não tenta imitar uma fotografia: isola o copo, assenta a cor, joga com a transparência do vidro e a luz que atravessa o gelo. O nosso poster Negroni em aguarela clássica parte desse princípio: copo centrado, fundo creme, a cor do cocktail como único acento. Sem logótipo, sem tipografia invasiva. A receita está no tom.

Porque é que a cozinha quer um poster de cocktail

A cozinha é uma divisão onde raramente nos sentamos. Passamos por ela de pé, em movimento, sob uma luz muitas vezes forte. Um poster pensado para uma sala de estar, contemplativo, para ser observado com calma, perde o seu sentido acima de uma bancada. O poster de cocktail foi feito para esse regime visual: lê-se em movimento, introduz uma nota de cor num ambiente já carregado de formas (armários, exaustor, prateleiras, eletrodomésticos) e comenta o uso do espaço sem o explicar.

Um poster de cocktail numa cozinha não decora a parede, qualifica o espaço. O jantar está a apurar, o aperitivo aguarda, e a imagem já o anunciou.

O formato importa. Em cozinha, fica-se pelos 30 por 40 centímetros, por vezes 40 por 50 se a parede o permitir. O 50 por 70 já é demasiado, salvo acima de uma grande barra de separação entre cozinha e sala. A moldura: carvalho claro para uma cozinha acolhedora, preto mate para uma cozinha contemporânea muito depurada, nunca dourado (o dourado numa cozinha envelhece mal).

Como escolher: a paleta da divisão em primeiro lugar

A regra que funciona em cozinha: observar a cor dominante da bancada, dos armários e dos elementos visíveis (loiça exposta, garrafas, chávenas), depois escolher um poster de cocktail cuja cor principal responda a esse conjunto sem o copiar. Uma cozinha com armários azul-pato pede um poster com dominante laranja ou vermelho (complementares). Uma cozinha em madeira clara e branco-sujo comporta bem um Negroni vermelho ou um Boulevardier castanho-cobre. Uma cozinha muito escura, quase negra, acolhe na perfeição um Aperol Spritz laranja claro, que se torna o único ponto luminoso da parede.

Três posters para começar

  • Um copo de Negroni isolado em fundo creme, aguarela densa, formato 30 por 40. O grande clássico, que cabe em qualquer cozinha contemporânea.
  • Um Aperol Spritz visto de cima, fatia de laranja flutuante visível, formato 40 por 50. Leitura mais lúdica, objeto mais reconhecível, ideal acima de uma lava-loiça.
  • Um Boulevardier de perfil, cubo de gelo central, em fundo madeira ou kraft. Formato 30 por 40, moldura preta. Ideal para uma cozinha de inspiração bistrot ou speakeasy.

Na Montmartre Poster, a coleção de cocktails reúne uma seleção rigorosa de peças em aguarela, do Negroni ao Old Fashioned, passando pelo Spritz veneziano. As obras são impressas em papel fine-art de 275 g/m², que restituem a transparência das aguarelas sem saturar a cor. A gama enriquece-se regularmente com ilustrações originais encomendadas a aguarelistas contemporâneos.